As flechas de Janot já não têm o mesmo veneno

Do jornal O Estado de São Paulo: “O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou neste sábado, 1.º, que vai continuar no “mesmo ritmo” até o dia 17 de setembro, quando então passará a chefia do Ministério Público Federal (MPF) para a sua sucessora, Raquel Dodge. “Enquanto houver bambu, lá vai flecha. Até 17 de setembro, a caneta está na minha mão. No dia 18 não está mais. Ainda bem. Vou continuar nesse ritmo que estou”, disse Janot, em palestra no 12.º Congresso da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), em São Paulo.” Leia mais:

http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,enquanto-houver-bambu-vai-ter-flecha-diz-janot,70001873242

Resumo do que penso sobre este assunto: O desmonte das instituições de Estado não é uma obra do acaso. Trata-se, na verdade, de uma ação deliberada daqueles que organizaram o golpe de 2016. Aliás, está no DNA dos usurpadores o elemento básico que marca trajetórias autoritárias: a verticalização no exercício do poder. Quanto maior o controle maior a eficiência da política daqueles que, falando em nome do povo, fazem tudo para satisfazer o todo poderoso mercado que, segundo eles, é o remédios para todos os males. Portando, o Estado (leia-se todos agentes publicos e políticos) não passa de mero instrumento dos donos do capital. Estado verticalizado é incompatível com instituições de Estado autônomas.

É verdade que está em curso uma bem articulada ação para abortar as consequências decorrentes das ações da Lava Jato e suas derivações. É verdade também que o objetivo imediato é mesmo salvar a pele dos políticos que usaram e abusaram do Estado com objetivos patrimonialistas. Isso é fato. Mas não só, querem os usurpadores controlar toda e qualquer instituição e impedir os avanços do ameaçador controle social, controle que, com a passagem da esquerda a frente de governos nos vários entes federativos, ocupou grande espaço na ordem jurídica brasileira. Os rumos do Estado brasileiro estão em disputa.

Infelizmente, escandalosos esquemas de corrupção, que se confudem com a história brasileira, mas, que só vieram a tona nos últimos anos, têm acobertado um debate necessário sobre qual o Estado os brasileiros dejam construir. Iludem-se aqueles que entedem ser suficiente combater à corrupção sem uma nova estruturação do Estado brasileiro. Na verdade, o necessário combate à corrupção para ser eficiente, para além de permanente, está intimamente associado a horizontalidade do comando do Estado. Isso implica numa radicalidade democrática e como escreveu o pensador italiano Norberto Bobbio implica no “poder publico em público”. Infelizmente, esse não é um conceito aceito pelos atuais donos do poder no Brasil.

Sem uma mudança de conceito de Estado não haverá salvadores da pátria e muitos menos posturas messeânicas que darão conta de um efetivo e eficiente combate à corrupção. Haja bambu para fabricar flecha!

Sobre joaoantoniofilho

João Antonio da Silva Filho é Mestre em Filosofia do Direito pala PUC - SP. É autor dos livros "A Democracia e a Democracia em Norberto Bobbio", "A Era do Direito Positivo" e "O Sujeito Oculto do Crime - Reflexões Sobre a Teoria do Dominio do Fato", publicados pela editora Verbatin. Advogado, foi vereador da capital por três mandatos consecutivos e deputado estadual por São Paulo. João Antonio nasceu em São João do Paraiso - norte de Minas Gerais. Atualmente é conselheiro do Tribunal de Contas do municipio de São Paulo.
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Uma resposta para As flechas de Janot já não têm o mesmo veneno

  1. Claudinho disse:

    Dr. João Antônio o que aconteceu com o povo brasileiro, o Gigante adormeceu ou a resposta vem nas urnas em 2018?

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