Democracia em Vertigem e a luta democrática

por João Antonio

A arte tem o poder de provocar inquietações. É assim mesmo: sua função é fazer os indivíduos pensarem e despertar a consciência crítica coletiva. Pela importância da indicação do documentário “Democracia em Vertigem” ao Oscar 2020, o tema – “Golpe Parlamentar de 2016” – volta ao debate no Brasil e no exterior, com intensidade merecida. Tudo que seus protagonistas não queriam! Mas este é o “preço” que os artífices do golpe pagam por ter colocado a democracia brasileira em vertigem.

A cineasta em questão é Ana Petra Costa, popularmente conhecida como Petra Costa, membro da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood desde 2018. Dirigiu os filmes “Olhos de Ressaca”, “Elena”, “Olmo e a Gaivota” e “Democracia em Vertigem”. Trata-se, portanto, de uma profissional bastante qualificada.
A frieza e o distanciamento com que a maioria dos documentários e filmes trata a política nacional dificilmente reflete a essência dos bastidores dos poderes. Entretanto, Petra Costa consegue dar vida à trama histórica.

Para além dos discursos raivosos dos inconformados, o documentário humaniza, pela sua narração, esse belicoso universo da política ao relacionar a vida pessoal da diretora aos controversos eventos políticos que marcaram o cenário político brasileiro. “Eu e a democracia brasileira temos quase a mesma idade. Eu achava que nossos trinta e poucos anos, estaríamos pisando em terra firme”, diz a autora na abertura do documentário.

O mundo, vai continuar debatendo os rumos da democracia. No Brasil em especial. Afinal, os frágeis argumentos jurídicos justificadores do impeachment, que se fizeram majoritários nas duas casas legislativas brasileiras, não conseguiram convencer a maioria dos democratas de sua justeza.
O filme “Democracia em Vertigem” retrata todas estas fragilidades. No fundo, o centro e a direita brasileira querem mesmo é passar uma borracha neste fato, como se fosse possível impedir a marcha histórica.

O filme e sua indicação ao Oscar representam mais um capítulo de um fato de extrema relevância – o Golpe de 2016. Este triste episódio continua a influenciar os rumos da democracia no Brasil. Suas conseqüências continuarão, ainda por muitos anos, motivando debates e estudos de todos os interessados, especialmente, dos historiadores.

Ninguém, nem mesmo os autoritários que ocupam postos de mando no Estado, conseguirão impedir que a história seja contada. O filme expressa um narrativa convincente. Pelo visto, para desespero dos protagonistas da trama antidemocrática no Brasil de 2016, está será a narrativa hegemônica.

Na minha opinião, a indicação do documentário da cineasta Petra Costa ao Oscar, independente do resultado, é uma vitória da democracia. Quanto as causas que deram origem ao impeachment da presidenta Dilma, segue a disputa pela narrativa. É assim que a história é contada.

Sobre joaoantoniofilho

João Antonio da Silva Filho é Mestre em Filosofia do Direito pala PUC - SP. É autor dos livros "A Democracia e a Democracia em Norberto Bobbio", "A Era do Direito Positivo" e "O Sujeito Oculto do Crime - Reflexões Sobre a Teoria do Dominio do Fato", publicados pela editora Verbatin. Advogado, foi vereador da capital por três mandatos consecutivos e deputado estadual por São Paulo. João Antonio nasceu em São João do Paraiso - norte de Minas Gerais. Atualmente é conselheiro do Tribunal de Contas do municipio de São Paulo.
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