GREVE, MOTIM E CHANTAGEM PELO PODER

Revista Piauí

Encapuzados, policiais amotinados furam pneus de carros da PM – José Leomar/Diário do Nordeste/Folhapress

RENATO SÉRGIO DE LIMA E ARTHUR TRINDADE MARANHÃO COSTA20fev2020_12h38

O atentado sofrido na última quarta-feira (19) pelo senador Cid Gomes (PDT), em Sobral, no Ceará, trouxe à tona mais uma vez o debate sobre a incapacidade de os governadores controlarem suas polícias e sobre a influência do projeto populista de poder do presidente Jair Bolsonaro junto aos policiais brasileiros. Cid Gomes sofreu duas perfurações por arma de fogo quando, em seu estilo pouco afeito a contemporizações, pilotava uma retroescavadeira na tentativa de furar o bloqueio de supostos policiais encapuzados diante de um batalhão da PM em Sobral. Horas antes, os encapuzados já haviam circulado pela cidade a bordo de carros da polícia exigindo que o comércio fechasse suas portas. A segurança da população ficou refém da política e virou palco de uma disputa envolvendo policiais militares. Mas o Ceará não está sozinho

Em menos de duas semanas, Ceará e Bahia, coincidentemente os dois maiores estados governados pelo PT, perderam totalmente, por diferentes razões, o controle de suas PMs. No caso cearense, o motivo público da atual crise é a recusa, inicialmente por parte de uma das associações representativas dos policiais, em aceitar a proposta de reajuste salarial e o plano de carreira negociados pelo governo estadual. Isso foi criando uma bola de neve de conflitos e resultou em um movimento paradista bastante radicalizado.

Diferentemente de outras categorias profissionais, os policiais não têm direito a greve, e suas reivindicações não são definidas no âmbito de um único sindicato. Sem regulação adequada, demandas legítimas são capturadas por lógicas e interesses políticos particulares, e os  problemas que geraram tais demandas continuam intactos. Ganha quem gritar mais alto.

A questão não é a luta dos policiais por direitos, mas o uso que dela tem sido feito para catapultar projetos de poder. Estudo do professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) José Vicente Tavares dos Santos com base em dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostra que, de 1997 a 2017, o Brasil teve 715 greves policiais. Dessas, 52 foram de policiais militares.

Publicado originalmente na Revista Piauí.

Leia mais. Acesse: https://piaui.folha.uol.com.br

Sobre joaoantoniofilho

João Antonio da Silva Filho é Mestre em Filosofia do Direito pala PUC - SP. É autor dos livros "A Democracia e a Democracia em Norberto Bobbio", "A Era do Direito Positivo" e "O Sujeito Oculto do Crime - Reflexões Sobre a Teoria do Dominio do Fato", publicados pela editora Verbatin. Advogado, foi vereador da capital por três mandatos consecutivos e deputado estadual por São Paulo. João Antonio nasceu em São João do Paraiso - norte de Minas Gerais. Atualmente é conselheiro do Tribunal de Contas do municipio de São Paulo.
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