Ernst Barlach, sua arte criativa e a perseguição implacável do regime nazista 

Por João Antonio

O Expressionismo, dentre as artes contemporâneas, estava prestigiada na Alemanha durante a República de Weimar. Sua face pública e mais popular era representada pelo talentoso escultor Ernst Barlach, cuja a obra foi fortemente influenciada pela arte camponesa primitiva com que ele deparou com uma visita à Rússia antes da Primeira Guerra Mundial.”

Suas esculturas sólidas de figuras humanas atarracadas talhadas em madeiras, estuque e bronze eram a expressão de um tipo de gente comum, num primeiro momento, admiradas por aqueles que ascenderam ao poder com o sucesso do terceiro Reich.

Ainda na república de Weimar, em 1918, Barlach, prestigiado, não dava conta das encomendas para memoriais de guerras de todas as regiões da Alemanha. Seu prestígio era tão reconhecido que em 1919 foi eleito para a Academia Prussiana de Artes. Tornou-se mundialmente conhecido pela hostilidade à abstração em 1920. Mas manteve uma distancia crítica à qualquer aproximação de sua arte com movimentos partidários. 

Sua arte despertou o interesse  de Goebbels o “homem forte” principal expoente, abaixo de Hitler, do regime nazista alemão. Rinchardes J. Evans conta em sua Obra “O Terceiro Reich no Poder” que Goebbels, “o ministro da Propaganda convidou Barlach, junto com outros artistas expressionista, incluindo Karl Schmidt-Rottluff, para a cerimônia de inauguração da Câmara de Cultura do Reich, e sua inclinação a apoiá-los foi respaldada por uma campanha lançada por membros da Liga de Estudantes Nazistas de Berlim em favor de um novo tipo de modernismo nórdico, baseado em um Expressionismo expurgado de artistas judeus e imagens abstratas. Mas este esforço foram a pique; de um lado, com a hostilidade de Alfred Rosenberg e, de outro, com a recusa do próprio Barlach de se comprometer com regime.”

Barlach recusou o convite para inauguração da Câmara de Cultura do Reich, a partir de então passou sofrer uma implacável perseguição do regime nazista. 

Racistas alemães passou a criticá-lo. Sem piedade, os dirigentes e militantes do Terceiro Reich acusavam Barlach de apresentar os soldados alemães com feições  sub-humanos eslavos.

Por um tempo Barlach tentou ser tolerado pelo regime nazista. Diferente de outros artistas, que perseguidos, saíram do país e fizeram o combate ao Terceiro Reich de fora para dentro, Barlach ficou na Alemanha na expectativa de ver respeitadas a liberdade criativa dos artistas, mas também porque não via possibilidade de sobrevivência em outras terras. Richard Evans escreve que “no inicio de maio de 1933 ele já estava desiludido. “A covardia bajuladora dessa magnificente”escreveu Barlach com amargura para o irmão, “faz a pessoa ficar vermelha até as orelhas e mais além só de pensar que é alemã”

Barlach tinha dificuldades de entender tamanha hostilidade às suas obras e o porque dos virulentos ataques às suas esculturas. Já com 60 anos tentou fazer uma media com regime nazista apoiando em 1934 à posse de Hitler como chanceler. Seu gesto não foi suficiente, o autoritarismo nazista seguiu perseguindo o artista e suas obras. 

Por fim, Barlach não conseguiu evitar o embate com o regime. Sua obra, indiscutivelmente, ia de encontro com a cultura nazista. Em 1937, foi forçado a renunciar à Academia de artes Prussiana. Desiludido ele assim se pronuncia: “Quando se tem que esperar, dia após dia, o golpe mortal iminente, o trabalho para por si mesmo”, escreveu. Pareço uma pessoa encurralada, com a matilha nos calcanhares.”

Sua saúde entrou em grave declínio, e ele morreu de um ataque cardíaco em um hospital em 24 de outubro de 1930.

O Nazismo age assim em todos as partes do mundo, inclusive aqui no Brasil. Fiquemos atentos

Sobre joaoantoniofilho

João Antonio da Silva Filho é Mestre em Filosofia do Direito pala PUC - SP. É autor dos livros "A Democracia e a Democracia em Norberto Bobbio", "A Era do Direito Positivo" e "O Sujeito Oculto do Crime - Reflexões Sobre a Teoria do Dominio do Fato", publicados pela editora Verbatin. Advogado, foi vereador da capital por três mandatos consecutivos e deputado estadual por São Paulo. João Antonio nasceu em São João do Paraiso - norte de Minas Gerais. Atualmente é conselheiro do Tribunal de Contas do municipio de São Paulo.
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