Mãe, eu te amo” (Gabriel Chalita)

No nascer, a totalidade encontra um novo mundo. O choro da surpresa é surpreendido por dias de afeto. É no seio da mulher que o alimento continua a alimentar a nova vida. Que aprende a sorrir. O sorriso de mãe prossegue, apesar da dor. Os seios doloridos não descansam. Os cansaços são abafados por pequenos olhares de amor. E, assim, os dias vão se sucedendo.

Por Gabriel Chalita

Os silêncios desses dias nos convidam a elevar um pensamento de amor no dia em que se celebra o amor. 

A oração para os que creem é uma oração de gratidão. O Arquiteto arquitetou um nascer milagroso. No encontro de substâncias químicas, a geração da química da vida. E, dentro do universo interno de uma mulher, a vida em formação. Cada parte da parte de um todo formando o todo.

No nascer, a totalidade encontra um novo mundo. O choro da surpresa é surpreendido por dias de afeto. É no seio da mulher que o alimento continua a alimentar a nova vida. Que aprende a sorrir. O sorriso de mãe prossegue, apesar da dor. Os seios doloridos não descansam. Os cansaços são abafados por pequenos olhares de amor. E, assim, os dias vão se sucedendo.

E, então, vem o engatinhar. E o caminhar. E o tropeçar. E, então, vem o frio. Faz frio mesmo em dias quentes. A alma de uma mãe tem um aquecimento próprio. Mesmo quando não se vê. O que se vê são os dedos catando sonhos necessários que se escondem em nosso cabelo. 

Para os que não creem, o dia é, também, de gratidão. O tempo nos ensina o que deve ser crido. Quando permitimos. Quando prestamos atenção.
Os desatentos se esquecem do cordão inicial e partem ingratos para a vida. E sofrem, porque sentem falta. E, às vezes, demoram a perceber. Alguns, quando percebem, só podem lembrar. Muitas mães partem partidas, esquecidas de seus filhos. Jogadas em um tempo passado, apenas.

Os silêncios, desses dias, têm o poder de nos fazer ouvir o murmúrio límpido dos nossos sentimentos. É bom poder dizer, “Mãe, eu te amo”. É bom poder sentir, “Mãe, eu te amo”. 
As mães são feitas da mesma matéria que nós, que todos; portanto, erram. Nos seus erros, dizem ditos que machucam. Nos machucaremos sempre que estivermos vivos. A mesma matéria que nos garante o privilégio das imperfeições nos confere o segredo das regenerações. Que vão além das feridas causadas por algum estilhaço ou do desconforto de alguma quebradura. Somos capazes de regenerar nossa alma. De reerguer, quando nos ajoelhamos, e choramos o choro doído da morte. Da morte de todo dia. Da morte como despedida do que passou. O amor de mãe nunca passa. É um amor presente mesmo na ausência. É um colo que se ajeita, mesmo à distância, para que nos aninhemos em busca de conforto. 

A oração de gratidão é necessária para conferirmos beleza ao mundo. Para nos elevarmos no êxtase de quem conhece e contempla uma obra de arte. Uma música que me preenche, um poema que me estaciona na silente reflexão, um pôr do sol que me põe a lembrar que o belo existe. E, também, uma mãe. Chorosa ou sorridente, compreensiva ou teimosa, falante ou sábia, uma mãe. Única. Irrepetível. Soberana. 
A liberdade que o mundo nos exige não é ave que voa sozinha. Os sentimentos que nos foram acumulando nos acompanham. E nos fazem voar mais alto. Em terra firme. Na terra, no ventre, no colo em que fomos moldados.

Os silêncios desses dias podem nos conferir um dom especial, o de perceber os barulhos que nos ensurdecem e que nos impedem de ouvir de dentro. Dentro de mim e de todo mundo, há sons harmoniosos pedindo para nascer, há canções que querem ser compostas, há textos interessados em desabrochar. Dentro de mim e de todo mundo, há sentimentos mais bonitos dos que os que se veem por aí. 

Aos que creem e aos que não creem na bondade humana, hoje é dia de agradecer.
Se ela estiver por perto, não economize nos afetos. Se estiver longe, invente uma forma de demonstrar. Se já tiver partido, parta um bom pedaço do seu dia para remexer nos dias lindos em que ela estava. E diga, em pensamento, “Mãe, eu te amo”.  

Gabriel Benedito Issaac Chalita, é advogado, palestrante, professor, escritor e professor de Filosofia do Direito na Pontifícia Universidade Católica e na Universidade Mackenzie.

Sobre joaoantoniofilho

João Antonio da Silva Filho é Mestre em Filosofia do Direito pala PUC - SP. É autor dos livros "A Democracia e a Democracia em Norberto Bobbio", "A Era do Direito Positivo" e "O Sujeito Oculto do Crime - Reflexões Sobre a Teoria do Dominio do Fato", publicados pela editora Verbatin. Advogado, foi vereador da capital por três mandatos consecutivos e deputado estadual por São Paulo. João Antonio nasceu em São João do Paraiso - norte de Minas Gerais. Atualmente é conselheiro do Tribunal de Contas do municipio de São Paulo.
Esse post foi publicado em Sem categoria. Bookmark o link permanente.

Uma resposta para Mãe, eu te amo” (Gabriel Chalita)

  1. Sebastião Nascimento disse:

    Muito bom, mãe é mãe…

    Curtido por 1 pessoa

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s