Aborto das Letras

Poema de Kako Álvares

Sofrendo qual assum-preto do Rei do Baião, que p’ro canto ser bonito de ouvir teve que cego ficar, por maldade de quem seus olhos furou, o poeta sangra entre lágrimas e letras, parindo a fórceps, o sofrimento da fome, miséria e escravidão, quando poderia colher do campo fraterno, frutos líricos da alegria e do amor.


Fodam-se as rimas, regras e métricas!
Trata-se de gente sofrendo, Morrendo
Espancada,
Metralhada, Bombardeada,
Torturada,
Esfomeada,
Injustiçada, Abandonada, Assassinada por Homens Respeitados, Reconhecidos, Honrados…


Que rezam seus mantras, pagam seu dízimo, cuidam dos seus, enquanto Extorquem,
Viciam,
Corrompem,
Manipulam,
Torturam,
Matam

Em nome de uma convicção sem fundamento, que lhes deu consentimento de se apoderarem do que o universo proveu para todos, por igual!


Com o reverso do espelho edipiano, o poeta se vê cercado por tanta barbárie fascista, que de assalto toma tudo…

Em nome da pecúnia,
Sob o manto da hipocrisia,
Abençoada por não se sabe quem, nem de onde
Que tem o nome açambarcado
Para justificar tamanha atrocidade!


Quem disse que existe um país acima de tudo e alguém acima de todos, se propriedade e divindade são tão artificias como a fome e a guerra?


Deve ser alguém da mesma natureza que fura o “zóio” do assum-preto,
Espanca mulher,
Violenta criança,
Odeia o diferente,
Prende inocente,
Rouba a aposentadoria de toda a gente,


Mata Chicos Mendes,
Johns Lennons,
Lutherkings,
Marieles,
Evaldos,
Lucianos…


Ressuscita Hittlers;
vive da guerra,
Dorme em paz.


Kako Álvares – 17/05/2019

Sobre joaoantoniofilho

João Antonio da Silva Filho é Mestre em Filosofia do Direito pala PUC - SP. É autor dos livros "A Democracia e a Democracia em Norberto Bobbio", "A Era do Direito Positivo" e "O Sujeito Oculto do Crime - Reflexões Sobre a Teoria do Dominio do Fato", publicados pela editora Verbatin. Advogado, foi vereador da capital por três mandatos consecutivos e deputado estadual por São Paulo. João Antonio nasceu em São João do Paraiso - norte de Minas Gerais. Atualmente é conselheiro do Tribunal de Contas do municipio de São Paulo.
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2 respostas para Aborto das Letras

  1. ROBERTO ANTONIO GHIGGI disse:

    Sua poesia sintetiza o momento pelo qual estamos passando. Sofrido, perverso e injusto! Tristemente temo que esse tempo seja longo, não apenas (veja só, o mundo só espera a cura do Covid 19) da Pandemia, mas do mais cruel vírus ou bactéria que passamos, da truculência, da segregação racial e de classe, do fascismo verde-amarelo!

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  2. ROBERTO ANTONIO GHIGGI disse:

    Sua poesia sintetiza o momento pelo qual estamos passando. Sofrido, perverso e injusto! Tristemente temo que esse tempo seja longo, não apenas (veja só, o mundo só espera a cura do Covid 19) da Pandemia, mas do mais cruel vírus ou bactéria que passamos, da truculência, da segregação racial e de classe, do fascismo verde-amarelo!

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