Poema “Antes o Voo da Ave” – Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)

Do livro de Amélia Pinto Paiva “Para compreender Fernando Pessoa.”

ANTES O VÔO DA AVE

Antes o voo da ave, que passa e não deixa rasto,

Que a passagem do animal, que fica lembrada no chão.

A ave passa e esquece, e assim deve ser.

O animal, onde já não está e por isso de nada serve,

Mostra que já esteve, o que não serve para nada.

A recordação é uma traição à Natureza.

Porque a Natureza de ontem não é Natureza.

O que foi não é nada, e lembrar é não ver.

Passa, ave, passa, e ensina-me a passar!

Este poema de Alberto Caeiro ((Heterónimo de Fernando Pessoa) inicia-se pelo advérbio “antes”, que marca a preferência, uma tomada de posição clara em favor do que não deixa rasto – o voo da ave -, e, portanto, se contenta em ser e não deixar recordação, a qual “é uma traição à Natureza.”

Sobre joaoantoniofilho

João Antonio da Silva Filho é Mestre em Filosofia do Direito pala PUC - SP. É autor dos livros "A Democracia e a Democracia em Norberto Bobbio", "A Era do Direito Positivo" e "O Sujeito Oculto do Crime - Reflexões Sobre a Teoria do Dominio do Fato", publicados pela editora Verbatin. Advogado, foi vereador da capital por três mandatos consecutivos e deputado estadual por São Paulo. João Antonio nasceu em São João do Paraiso - norte de Minas Gerais. Atualmente é conselheiro do Tribunal de Contas do municipio de São Paulo.
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