Corinthians e Palmeiras reabrem Paulistinha que deveria ter acabado – opinião de Juca Kfouri

Fossem as autoridades e os cartolas responsáveis, já não haveria campeonato

Por Juca Kfouri

Quiseram os deuses dos estádios que o clássico de maior rivalidade em São Paulo reabrisse o campeonato estadual que, fossem o governador paulista, o prefeito paulistano e os cartolas do estado minimamente responsáveis, nem deveria continuar.

E aí sem ser pelos conhecidos motivos esportivos, mas por questão de saúde pública mesmo. Mas quem resiste à força do dinheiro?

Registrada a imprudência, vamos ao jogo, vamos ao que temos.

Será o Dérbi de número 363, em situação de empate, com 127 vitórias para cada lado, o 210° pelo estadual, com 78 vitórias alvinegras e 70 alviverdes.

Os números são do sério pesquisador Celso Unzelte, sem terraplanismos como incluir jogos de torneios inícios ou transformar torneio internacional, de inestimável valor, em Mundial de Clubes.

Dito isso, em que condições chegam os dois times ao confronto mais que centenário?null

A resposta é um rotundo NÃO SEI!

Claro que no papel a vantagem é toda palmeirense, com elenco muito mais poderoso e em território quase neutro, porque sem torcida —e era só o que faltava se tivesse.

Depois de parada de quatro meses, somado ao clássico é clássico e vice-versa, haverá favoritismo, mesmo com o Corinthians no bico do corvo, virtualmente eliminado da fase final?

Acrescente-se um grupo de 28 jogadores que apresentou o estonteante número de 21 com a Covid-19 no dia 21 de junho, praticamente um mês antes do jogo desta quarta-feira (22) e que não terá o volante colombiano Cantillo, o 22º caso, diagnosticado poucos dias atrás.

Verdade que o vírus atingiu também o rival, a começar pelo comandante Vanderlei Luxemburgo, 68, do grupo de risco, que perdeu Dudu, o astro maior da companhia, e planeja jogar sem armadores.

Felizmente o técnico já está bem, de volta aos treinos, e com o time perto da classificação, mas ainda na luta com Novorizontino e Santo André, embora a equipe do ABC tenha perdido quatro titulares, entre eles o artilheiro Ronaldo, na interrupção do campeonato e, de cara, na mesma noite do Dérbi, vá enfrentar o Santos, na Vila Belmiro.

Em bom português, o Paulistinha recomeçará sequelado, vítima da pandemia.

Tomara que seja o menor dos problemas, porque a torcida maior será para evitar novas mutilações.

Embora já tenha sido disputado para públicos minúsculos, como em 16 de agosto de 2000, quando apenas 3.139 pagantes foram ao Morumbi para ver Corinthians 1, Palmeiras 0, pelo Brasileirão, também numa quarta-feira à noite, será a primeira vez, em 103 anos, que o clássico será disputado sem torcedores —sempre segundo Unzelte e seu utilíssimo aplicativo Almanaque do Timão.

O corintiano pode se fiar na esperança do que se viu nos equilibrados três Fla-Flus recentes, embora o melhor tenha prevalecido com a justa, e sem maiores comemorações, conquista rubro-negra do 36º título estadual.

Já o palmeirense se motiva também pela possibilidade de enterrar as remotas chances de classificação do adversário, impedindo assim que possa lutar pelo inédito, no profissionalismo, tetracampeonato paulista, façanha só alcançada pelo Club Athletico Paulistano, em 1919.

Curiosamente, na trajetória para ser tricampeão, o Paulistano ficou sem jogar entre setembro e dezembro de 1918 devido à gripe espanhola.

Quem impediu o penta foi exatamente o Palestra Itália. Aliás, o hexa, porque o Paulistano ganhou em 1921.

Juca Kfouri é jornalista, autor de “Confesso que Perdi”. É formado em ciências sociais pela USP.

Publicado originalmente no jornal Folha de São Paulo. Acesse: https://www.folha.uol.com.br

Sobre joaoantoniofilho

João Antonio da Silva Filho é Mestre em Filosofia do Direito pala PUC - SP. É autor dos livros "A Democracia e a Democracia em Norberto Bobbio", "A Era do Direito Positivo" e "O Sujeito Oculto do Crime - Reflexões Sobre a Teoria do Dominio do Fato", publicados pela editora Verbatin. Advogado, foi vereador da capital por três mandatos consecutivos e deputado estadual por São Paulo. João Antonio nasceu em São João do Paraiso - norte de Minas Gerais. Atualmente é conselheiro do Tribunal de Contas do municipio de São Paulo.
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