Os casais que se sentem mais felizes são aqueles que aprenderam a compreender e respeitar o tempo e o espaço do outro

“O primeiro mês de isolamento foi horrível, pois eu queria namorar, transar, ficar juntinho, e ela queria ficar quieta e sozinha. Me senti abandonado e rejeitado...”

Você está conseguindo ser a sua melhor versão?

Por Mirian Goldenberg

Uma das questões da minha pesquisa é compreender como os casais estão experimentando a convivência intensa durante a pandemia.

Em um extremo, encontro casais que são “a pior versão de si”. Nesse tipo de relacionamento existe uma permanente luta de dominação e a tentativa de impor ao outro o que é certo e errado, como disse um engenheiro de 64 anos:

“Desde março estou em uma prisão, minha vida tem sido um inferno. Minha mulher é uma tirana insuportável. Explode por qualquer coisa, grita e briga o tempo todo, está sempre insatisfeita e irritada. Fica controlando e vigiando tudo o que eu faço. Reclama que falo muito com os amigos, que a televisão está sempre ligada, que não joguei o lixo fora, que bebo e fumo demais, que sou um poço de egoísmo, que não escuto nem presto atenção quando ela fala. Parece que ela me odeia e me despreza, e por isso quer que eu me sinta um bosta, um fracasso como homem.”

Em outro extremo, encontro casais que procuram ser “a melhor versão de si”. Eles fazem uma escolha diária de alimentar o cuidado, o carinho e a compreensão, além de buscarem minimizar os conflitos e discussões, como mostrou um professor de 51 anos:

“O primeiro mês de isolamento foi horrível, pois eu queria namorar, transar, ficar juntinho, e ela queria ficar quieta e sozinha. Me senti abandonado e rejeitado. Mas logo compreendi que ela precisava de tempo e espaço para encontrar um equilíbrio. Agora estamos mais próximos do que nunca, conversamos muito, ela me ajuda quando eu preciso, assistimos a filmes e até damos muitas risadas das nossas maluquices. Nosso casamento está muito mais forte, nunca senti tanto amor, admiração e gratidão como sinto agora. Ela é a melhor companheira que eu poderia sonhar ter no meio dessa tragédia. Todos os dias aprendo com ela como ser a melhor versão de mim mesmo”.

Provavelmente, a maior parte dos casais não se encontra nos dois extremos, alguns podem estar mais próximos da melhor versão de si e outros da pior. Talvez a grande maioria esteja no meio do caminho. O aumento significativo dos divórcios pode ser uma prova concreta de que não é nada fácil ser “a melhor versão de si”.

O professor contou que o segredo da felicidade no casamento é uma escolha que ele e a esposa fazem todos os dias: “Como posso ser a minha melhor versão, aqui e agora?”.

Mirian GoldenbergAntropóloga e professora da Universidade Federal do Rio, é autora de “A Bela Velhice”.

Publicado originalmente no jornal Folha de São Paulo. Acesse: https://www.folha.uol.com.br/

Sobre joaoantoniofilho

João Antonio da Silva Filho é Mestre em Filosofia do Direito pala PUC - SP. É autor dos livros "A Democracia e a Democracia em Norberto Bobbio", "A Era do Direito Positivo" e "O Sujeito Oculto do Crime - Reflexões Sobre a Teoria do Dominio do Fato", publicados pela editora Verbatin. Advogado, foi vereador da capital por três mandatos consecutivos e deputado estadual por São Paulo. João Antonio nasceu em São João do Paraiso - norte de Minas Gerais. Atualmente é conselheiro do Tribunal de Contas do municipio de São Paulo.
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