O que mais precisa acontecer no Brasil para dar um basta no obscurantismo? – texto de Juca Kfouri

Por falar em morte, porque é só disso que se trata, quem dera só morressem os que aglomeram, não usam máscaras e fazem propaganda dos genocidas.”

Mas aqui não é um espaço para o futebol? Pois será ocupado também pelo futebol

Por Juca Kfouri

Jogou o líder do Covidão-20, logo mais tem o Dérbi na casa verde e o jogador Valdívia, do Avaí, foi retirado de campo no meio do jogo contra o CSA, em Maceió, por ter testado positivo para Covid-19.

Há sérias suspeitas de tramoia por parte do laboratório ligado ao clube alagoano.

Se o teste é à vera, o jogador expôs sabe-se lá quantos outros. Se foi cafajestagem, revela apenas mais uma faceta da elite nacional, capaz de usar a pandemia para enriquecer de todas as maneiras e até ganhar um jogo de futebol.

Porque genocida não é apenas o mentiroso terrorista e corrupto patrono das rachadinhas milicianas que mora no Alvorada e diz viver “num prédio com mais de 200 infectados” que teriam se tratado com as cloroquinas da vida.

Genocidas são os ministros, do apalermado general que pôs no chão a imagem do Exército ao esquecer de comprar seringas e mandar avião buscar vacinas onde não havia para comprar, aos demais que aceitam estar na mesma tragédia.

Genocidas são os da imprensa que aderiram ao negacionismo, que ouvem barbaridades e, além de não contestá-las, as repetem como papagaios alimentados com alpiste contaminado.

Genocidas são os cartolas do futebol que promovem aglomerações de torcedores para incentivar seus times nas portas dos estádios e disseminam o vírus sem dó nem piedade.

Genocidas são os donos das Big Techs que se fizeram de inocentes úteis para dar vazão ao crime organizado da necropolítica. Os banqueiros calados com seus lucros ensanguentados, industriais, “pastores”, donos de jornais, TVs, rádios, que em vez de explicar espalham opinião como se fosse informação, pisoteiam a ciência, dão espaço para charlatães marqueteiros e depois ocultam o que matou alguns deles.

Por falar em morte, porque é só disso que se trata, quem dera só morressem os que aglomeram, não usam máscaras e fazem propaganda dos genocidas.

Canalhas! Canalhas! Canalhas! Genocidas! Genocidas! Genocidas!

A questão não é mais a economia, estúpido!

Nem a política, estúpido!

A questão é humanitária, estúpido!

O único cálculo a ser feito agora é mostrar todos os cúmplices da matança para que, seja lá quando for, em tribunais nacionais ou no exterior, venham a ser condenados por Manaus e por grande parte dos 210 mil mortos que poderia sobreviver.

Revelar os adeptos do tal Tradicionalismo, desvario de extremistas diante da nova revolução tecnológica que poupa mão de obra, determinados a exterminar milhões de vidas tratadas como peso nas contas públicas.

A palavra de ordem do terror moderno é destruir, é desacreditar vacinas, é jogar o jogo dos bárbaros, naturalizar a desgraça, diabolizar a cultura e usar os deuses para, com o perdão da redundância, fanaticamente queimar tudo, dos livros às florestas, em nome do privilégio de quadrilheiros ensandecidos.

O que mais precisa acontecer no Brasil para que se dê um basta ao obscurantismo assassino?

Por quanto tempo mais veremos pessoas morrerem asfixiadas no “pulmão do mundo”?

Ainda não chegou em você?

Você que desdenha da máscara, que aglomerou no Natal, na passagem de ano, que recusa a vacina, que não é maricas, apenas idiota, alienado ou ignorante, cúmplice?

Viver é muito perigoso, escreveu Guimarães Rosa.

Mais perigosa é a covardia, a apatia, a falta de caráter, a canalhice.

Genocidas! Genocidas! Genocidas!

Juca KfouriJornalista, autor de “Confesso que Perdi”. É formado em ciências sociais pela USP.

Publicado originalmente no jornal Folha de São Paulo. Acesse: https://www.folha.uol.com.br/

Este é um artigo de opinião. A visão do autor não necessariamente expressa o que pensa o blog Traço de União.

Sobre joaoantoniofilho

João Antonio da Silva Filho é Mestre em Filosofia do Direito pala PUC - SP. É autor dos livros "A Democracia e a Democracia em Norberto Bobbio", "A Era do Direito Positivo" e "O Sujeito Oculto do Crime - Reflexões Sobre a Teoria do Dominio do Fato", publicados pela editora Verbatin. Advogado, foi vereador da capital por três mandatos consecutivos e deputado estadual por São Paulo. João Antonio nasceu em São João do Paraiso - norte de Minas Gerais. Atualmente é conselheiro do Tribunal de Contas do municipio de São Paulo.
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