FHC, Lula e 2022O – o gesto mostra que ainda é possível salvar alguma coisa dos escombros

Por Cristina Serra

A fotografia dos ex-presidentes Fernando Henrique e Lula, ambos de máscara e dando um “aperto de mãos” como manda o protocolo da pandemia, é cheia de significados e mexe com todas as peças no tabuleiro de 2022. Esse encontro é como um ajuste de placas tectônicas que, até bem pouco tempo, estavam em choque e, ao que parece, encontraram algum ponto de acomodação.

Os ex-presidentes FHC e Lula – Ricardo Stuckert/Divulgação

FHC disse que ainda prefere uma terceira via, mas que votará em Lula se o segundo turno for entre este e Bolsonaro. Justamente por isso a aproximação faz sentido. As últimas pesquisas Datafolha têm indicado o esfarelamento da tal terceira via: Ciro, Moro, Doria, Huck, todos ficam comendo poeira, muito atrás de Lula, na dianteira, e Bolsonaro, em segundo lugar. 

O movimento mostra a necessidade da tal frente ampla contra o fascismo, algo de que muita gente vinha falando, mas poucos pareciam dispostos a dar o primeiro passo. É o que Lula e FHC fazem agora, passando por cima de imensas mágoas e ressentimentos mútuos. O país está na lona, a caminho de uma terceira onda da pandemia, com morte, doença, fome, desemprego, desespero e exaustão. Milícias se fortalecem, tratoraços, boiadas e chacinas nos assombram.

O gesto dos ex-presidentes mostra que ainda é possível salvar alguma coisa dos escombros e derrotar a extrema direita violenta encarnada no bolsonarismo. Alguém haverá de lembrar do papel decisivo do PSDB no golpe de 2016. Sim, lá estavam os tucanos votando a favor do impeachment de Dilma Rousseff, ao lado daquele que votou em homenagem a um torturador. O que o PSDB colheu desde então ? O Bolsodoria de 2018 e um partido esfacelado, cortejando a irrelevância. 

Ainda estamos longe do encontro com as urnas em 2022. Mas o que sairá delas depende do que for feito desde já. Os sinais de um pacto de não agressão entre os dois ex-presidentes serão determinantes para reconduzir o Brasil de volta ao pacto civilizatório.CONTINUE LENDO ▾

Cristina Serra Cristina Serra é paraense, jornalista e escritora. É autora dos livros “Tragédia em Mariana – a história do maior desastre ambiental do Brasil” e “A Mata Atlântica e o Mico-Leão-Dourado – uma história de conservação”.

Publicado originalmente no jornal Folha de São Paulo. Acesse: https://www.folha.uol.com.br/

Sobre joaoantoniofilho

João Antonio da Silva Filho é Mestre em Filosofia do Direito pala PUC - SP. É autor dos livros "A Democracia e a Democracia em Norberto Bobbio", "A Era do Direito Positivo" e "O Sujeito Oculto do Crime - Reflexões Sobre a Teoria do Dominio do Fato", publicados pela editora Verbatin. Advogado, foi vereador da capital por três mandatos consecutivos e deputado estadual por São Paulo. João Antonio nasceu em São João do Paraiso - norte de Minas Gerais. Atualmente é conselheiro do Tribunal de Contas do municipio de São Paulo.
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2 respostas para FHC, Lula e 2022O – o gesto mostra que ainda é possível salvar alguma coisa dos escombros

  1. Benice disse:

    Juntos somos fortes respeito e ética.

    Curtido por 1 pessoa

  2. Márcio Ramos disse:

    Nós mortais necessitamos daqueles que conseguem superar nossa mesquinhez, insensatez, mágoa e ressentimentos para pensarmos no conjunto da sociedade, no interesse da coletividade, em um bem maior.
    A vida é feita de gestos e simbolismo. Que esse seja visto com grandeza.

    Curtido por 1 pessoa

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