Com Planalto militarizado, Bolsonaro fecha-se ao Congresso

General Braga Netto assume a Casa Civil (Foto: Alan Santos / PR)

GENERAL BRAGA NETTO ASSUME A CASA CIVIL (FOTO: ALAN SANTOS / PR

Do portal Carta Capital

André Barrocal – 14 de fevereiro de 2020

Novo arranjo de forças no coração do governo complica Paulo Guedes e pode influenciar a economia

A troca do deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) pelo general da ativa Walter Souza Braga Netto na Casa Civil da Presidência militarizou quase todos os cargos principais do Palácio do Planalto. Resta só um não fardado em posto-chave, o publicitário Fabio Wajngarten, chefe da Comunicação Social. Desse modo, Jair Bolsonaro começa 2020 reconciliado com as Forças Armadas da ativa.

Novo arranjo de forças no coração do governo complica Paulo Guedes e pode influenciar a economia

A troca do deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) pelo general da ativa Walter Souza Braga Netto na Casa Civil da Presidência militarizou quase todos os cargos principais do Palácio do Planalto. Resta só um não fardado em posto-chave, o publicitário Fabio Wajngarten, chefe da Comunicação Social. Desse modo, Jair Bolsonaro começa 2020 reconciliado com as Forças Armadas da ativa.
A militarização do Planalto sinaliza ainda que Bolsonaro fechou-se aos políticos e não pretende pedir nada ao Congresso este ano. Mesmo enfraquecido, Lorenzoni era um canal que os parlamentares podiam procurar. O guichê oficial do Planalto para eles já tem um general da ativa, Luiz Eduardo Ramos, chefe da Secretaria de Governo. Agora, o alternativo tem outro, Braga Netto.

Com o novo jogo de forças no coração do governo, as reformas econômicas liberais desejadas pelo ministro Paulo Guedes e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) dependerão do empenho da dupla para andar no Congresso. Difícil, em ano eleitoral. E sem mais reformas, o capital estrangeiro e os investimentos continuarão a minguar. No “mercado”, há quem diga que a alta do dólar decorre de PIB e juro baixos.

“[A nomeação do general Braga Netto] É o aprofundamento da distância do governo com o Congresso. E um sinal claro para as Forças Armadas, a Casa Civil é um cargo muito importante”, afirma o deputado carioca Pedro Paulo, do DEM, partido que tem ministros no time de Bolsonaro.

Paulo é autor de uma proposta de mudança na Constituição que permite ao governo adotar medidas duras, em caráter emergencial, para contornar contas no vermelho, como reduzir por 12 meses a jornada e o salário do funcionalismo federal. É uma espécie de reforma administrativa provisória.

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